Pediatras reivindicam respeito e valorização da Sesau

O Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), reuniu ontem (25), em seu auditório, pediatras que atuam na rede pública de saúde em Campo Grande para discutir situações de conflito que andam ocorrendo com os especialistas. A categoria se queixa de falta de respeito dos gestores com os profissionais e cita diversos fatos que têm atrapalhado a dinâmica de trabalho e prejudicando, desta forma, o atendimento à população.

Uma das situações pontuadas foi o deslocamento de plantonista fixo de uma unidade para outra, especialmente sem prévio aviso e após o especialista já ter assumido o plantão em sua lotação. Atitude esta que desfalca a equipe e sobrecarrega o médico que fará a assistência pediátrica sozinho. Além disso, vários pediatras foram coagidos pelo gestor alegando que se o remanejamento não fosse feito, iriam considerar abandono de plantão.

Outra reclamação é sobre a frequência que eles vêm sendo deslocados para o CEMPE (Centro Municipal Pediátrico) que, devido sua localização, centralizou o atendimento longe dos bairros e periferias, causando assim um distanciamento do pediatra com as famílias que mais precisam de atendimento.

Existe também a formação de escala de plantões de pediatria sem pediatras, mesmo havendo especialistas disponíveis e aptos para dar o plantão, além do corte de plantões em algumas unidades. "Em época de férias escolares, a prefeitura reduz o número de profissionais, alegando que não há demanda suficiente, mas quando acabam as férias e o atendimento volta com grande movimento, os pediatras que saíram não são repostos, sobrecarregando assim quem trabalha nas unidades", disse uma das médicas.

De acordo com a presidente da Sociedade de Pediatria do Mato Grosso do Sul, Tania Hildebrand, essa desorganização tem gerado, inclusive, violência da população contra os médicos: “O pediatra não é inimigo, mas é isso que a estão pregando. Esta cada vez mais difícil desempenhar a atividade que amamos tanto. Estamos pedindo só tratamento digno. Mas essa falha na gerência acaba gerando violência e medo do profissional de atuar”, comenta.

Tania ressalta também que cerca de 80% da classe médica especializada em pediatria em Mato Grosso do Sul são mulheres. “Se chegam chutando a porta para insultar a médica, como ela vai se defender? Elas estão se afastando para não correr riscos. Somente na semana passada 3 pediatras pediram demissão em uma Unidade de Saúde devido a essa situação”, acrescenta a presidente.

Ela ressalta ainda que outra preocupação é o relacionamento que está sendo criado entre médico e paciente. "Queremos fazer o nosso trabalho e ter respeito por isso, não podemos admitir que interesses particulares e políticos nos prejudiquem e afetem o relacionamento médico/paciente".

A solução imediata sugerida pelo presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdir Shigueiro Siroma, foi marcar uma reunião com o coordenador de urgência da Sesau, Frederico Miguel Dantas, na presença do presidente do CRM-MS, Sociedade de Pediatria de MS e pediatras da rede pública de Campo Grande. “Precisamos avaliar esta situação com urgência, pois o nosso objetivo é desenvolver um trabalho de respeito ao médico e presteza à população, ao contrário do que ouvimos aqui hoje. É necessário restabelecer o vínculo que o pediatra tem com a sociedade”, diz Siroma.

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