RJ: quantas mortes são necessárias para conseguir o ajuste fiscal?

O Ministério da Saúde autorizou o pagamento, na semana passada, para a liberação do medicamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que garante uma taxa de cura de até 90%. Porém, o Ministério da Fazenda ainda não liberou os recursos do Tesouro. O diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED/RJ), Julio Noronha, alerta para a gravidade da evolução da doença. “Sem o remédio, a hepatite agressiva pode evoluir para uma cirrose, que é uma doença incurável”.

Foi o que aconteceu com a paciente Elizete Lopes, 50 anos, diagnosticada com hepatite C, que já evoluiu para cirrose. “Da última vez, eles falaram que a Fazenda precisa pagar a empresa que fará a distribuição dos medicamentos e isso não é feito. Estou há um ano aguardando o início do meu tratamento. Enquanto isso, as pessoas vão morrendo”, disse Elizete.

Como bons brasileiros, os infectados com hepatite C estão contribuindo para equilibrar o déficit fiscal do governo. Os pacientes que morrem por falta de medicamentos não dão despesas ao sistema de saúde. Parece humor negro, mas é um quadro que poderá se tornar realidade caso os novos medicamentos para tratamento da hepatite C não sejam, em curto espaço de tempo, distribuídos aos infectados.

No final do ano passado, foi feita a promessa de incorporação e outorgada prioridade na tramitação na ANVISA e CONITEC. Em 28 de julho, foi publicado o Protocolo de Tratamento, depois foi publicada a Nota Técnica Conjunta estabelecendo os critérios de distribuição dos medicamentos, os contratos com os fabricantes assinados e os medicamentos fabricados e prontos para serem embarcados, mas onde estão os medicamentos?

Segundo Julio Noronha, a Anvisa também proibiu a importação de uma série de medicamentos, não só para hepatite, como para outras doenças graves. De acordo com a Agência de Notícias das Hepatites, é provável que a liberação do pagamento aconteça até o final deste mês.

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