RS: médicos estão sendo expulsos do SUS pela insegurança

Em reunião nesta terça-feira (6) com o secretário estadual da Segurança Pública, Wantuir Jacini, o presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes, expôs a situação de medo em que vivem os médicos que atuam nos postos de saúde de Porto Alegre. “A questão da violência é a que mais expulsa os médicos da rede pública. Eles estão sendo expulsos do SUS devido a estas condições adversas.” O encontro foi motivado pela invasão ao Posto de Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, no final de setembro, quando médicos foram coagidos.

O objetivo de Argollo era obter a garantia de melhores condições de segurança aos médicos que atuam em postos de saúde. Foi solicitado ao comandante-geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira, também presente à reunião, que os profissionais contassem com um telefone direto dos comandantes de policiamento das regiões dos postos em casos de emergência. O coronel prometeu repassar os celulares de todos os comandantes ao Sindicato, que poderá acioná-los sempre que receber uma denúncia através de seu plantão de atendimento. Segundo Freitas, é papel dos comandantes estarem presentes nas comunidades em que atuam e interagir.

Em relação ao pedido de videomonitoramento das regiões mais vulneráveis, o secretário informou que o Centro Integrado de Comando e Controle Regional já atua através de câmeras 360º próprias e em convênios com BM, EPTC, Concepa, Polícia Rodoviária Federal e Trensurb, e que esse acompanhamento agiliza a ação da polícia. De acordo com Jacini, na noite da invasão do PACS, a Brigada levou cerca de 20 minutos para chegar ao local após ser acionada via 190, e o tempo de resposta seria bem menor se houvesse câmeras da prefeitura no local, espelhadas na central da SSP. Jacini alega que a instalação de câmeras na área é uma atribuição da prefeitura, já que o posto é municipal. Para ele, duas ou três seriam suficientes. “É uma ótima ferramenta de policiamento preventivo.”

A cúpula da segurança do Rio Grande do Sul entende que a presença de brigadianos no entorno do Postão da Cruzeiro não é uma solução definitiva, já que eles não podem atuar dentro do local. Esta seria uma responsabilidade da Guarda Municipal, que deveria agir com poder de polícia. Após três horas de reunião, ficou reafirmado o Grupo de Trabalho composto pelo comando da Brigada Militar e pelo SIMERS para análise e aperfeiçoamento das questões de segurança nos postos de saúde.

Também participaram do encontro o chefe do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Marcelo Moreira, e outros representantes de departamentos da SSP.

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