RS: Eles venceram o câncer

 Não foi o câncer que insistiu em aparecer quatro vezes, nem a amputação de uma perna, nem a cirurgia que removeu metade do pulmão esquerdo que tiraram a força do jovem João Carlos Rodovalho Costa, 32. Mas foi também com a ajuda dos médicos que lhe acompanham desde 2001 que ele conseguiu superar todas essas adversidades e ter conquistado feitos importantes, como a graduação em gestão financeira e, recentemente, arrecadar R$50 mil em uma campanha de financiamento coletivo para adquirir uma prótese e seguir praticando suas atividades favoritas, a natação e o crossfit – treinamento de força e condicionamento físico geral baseado em movimentos funcionais. “A vida não para, não há tempo para ficar lamentando os problemas. O importante é levantar a cabeça e seguir em frente, com trabalho e dedicação você irá alcançar suas metas”, considera ele, especialmente com a lição imposta pelo câncer.

A história de João começa com um diagnóstico que o médico ortopedista que cuidava do seu caso lamentou informar: ele teria que amputar a perna esquerda devido a um tumor de 12cm no joelho. Com 17 anos na época, ele passou por um acompanhamento rígido para mais tarde receber a prótese que lhe garantiria uma vida mais confortável, mobilidade com mais facilidade e também continuar com o esporte. “Já lutei contra o câncer diversas vezes, sempre venci e nunca desanimei, mesmo tendo que parar diversas vezes por conta das cirurgias e tratamentos. Superar os meus limites é a minha paixão”, encara.

Com esse entusiasmo, ele conseguiu vencer mais um obstáculo da doença, dessa vez quatro anos mais tarde, em 2005. A sua equipe médica identificou 12 nódulos no pulmão, cinco do lado direito e sete no lado esquerdo. Para ter uma recuperação mais rápida, os médicos toparam retirar todos os tumores em uma só cirurgia, que foi realizada com sucesso. “O meu médico disse que a única coisa ruim foi abrir o tecido da musculatura que era muito forte por causa da natação”, lembra com graça.

Mais quatro anos se passaram e, em 2009, nem um autotransplante de medula impediu que a doença retornasse, dessa vez com um nódulo no ápice do pulmão esquerdo. Mais uma vez a figura do seu oncologista foi essencial para manter sua recuperação, uma vez que o profissional indicou a cirurgia, mas sem acompanhamento de quimioterapia – tratamento que poderia ser prejudicial devido a quantidade de doses que João já havia sido submetido.

Em 2010, em um exame de rotina, o médico identificou a reincidência do nódulo no mesmo local do já retirado no ano anterior. A decisão técnica dos médicos da equipe foi fundamental para o desfecho da história do jovem. “Como o nódulo estava próximo de uma artéria, e era a segunda vez que aparecia no mesmo local, os médicos acharam melhor tirar a parte superior do pulmão esquerdo”, recorda.

Revivendo todas as lembranças das difíceis etapas na luta contra o câncer para nos contar sua história, João avalia o sucesso dos tratamentos pelos quais passou ao longo dos últimos 14 anos e a importância do médico para sua recuperação, especialmente em momentos de tanta fragilidade. “Sentir a segurança que me passou durante esse período, ter uma equipe toda apoiando foi essencial. Saber cada detalhe do que seria feito, não esconder o que estava acontecendo, deixar bem claro o papel dele e o meu no tratamento foram fundamentais. Eu vejo desta forma, até mesmo porque meu médico sempre foi muito aberto comigo, não escondeu nada, sempre deixou claro todas as possibilidades que existiam”, conta.

Na semana em que comemoramos o dia do médico, o rapaz relembra com carinho do oncologista que auxiliou em todos os procedimentos pelos quais passou e agradece o empenho e cuidados destinados a ele e que asseguraram a vitória contra a doença. “Até brinco ao falar que sou uns dos mais antigos pacientes dele, por isso digo: muito obrigado, sem o conhecimento, sem a dedicação, sem os estudos dele, sem o comprometimento do bem estar do paciente eu não estaria aqui hoje”, reconhece ele, que já planeja ingressar em um curso de pós graduação e buscar outras conquistas com a nova prótese.

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