RS: Como se preparar para a residência médica? Escolha da especialidade

O primeiro passo para o médico recém-formado que vai iniciar uma residência é definir qual especialidade quer seguir. Mesmo após seis anos de curso, a faculdade de Medicina não é suficiente para orientar o aluno para o mercado de trabalho e na escolha entre uma gama tão variada de áreas de atuação. A decisão, claro, é de foro íntimo, mas deve levar em conta uma série de fatores, como as necessidades para realização profissional, financeira e de qualidade de vida. “Tem que escolher uma com que se identifique, goste e na qual se sinta realizado”, defende o pediatra Jorge Eltz, diretor do SIMERS.

Hoje, listamos abaixo tópicos para orientar na escolha da residência. Amanhã, na segunda parte desta série, citaremos dicas para a realização das provas e entrevistas de seleção.

– Autoconhecimento
O clínico André Wajner, preceptor da residência de Medicina Interna do Hospital Conceição, lista algumas questões importantes a serem feitas: “Quais suas habilidades? Gosta de conversar com pessoas ou é mais reservado, prefere ter uma rotina regrada ou aceita fazer plantão e sobreaviso, precisa trabalhar em áreas abertas e mudar de ambiente ou lida bem com o ambiente fechado de uma UTI?” Conhecer suas características é fundamental, pois existem as mais variadas atividades: “Um patologista poderá lidar só com órgãos post mortem e um radiologista, só com laudos de diagnóstico por imagem, enquanto na Medicina Interna vai lidar basicamente com os pacientes”, exemplifica.

– Remuneração
Se segurança financeira for um fator determinante para a escolha, é preciso avaliar como está o mercado de trabalho e como é a rotina das especialidades. “Alguns jovens ainda escolhem Cirurgia Plástica, que é uma função complexa e requer anos de estudo, por ser uma área financeiramente atrativa, mas outros especialistas também podem atuar com estética, com amplo campo de atuação. O mesmo com a Anestesia: não levam em consideração que é uma atividade difícil, que requer sobreaviso e na qual poderá entrar numa cirurgia longa que não tem hora para acabar”, diz Wajner.

– Demanda de mercado
É necessário conhecer a realidade local, especialmente quando o médico vai viver em uma cidade diferente de onde fez o curso. Muitas vezes as faculdades e hospitais-escolas são referência em uma área específica, que acaba atraindo muitos residentes. Mas não adianta o médico escolher especialidades complexas, como Neurocirurgia, por exemplo, se for viver num município de interior só com um hospital de pequeno porte. Convém avaliar se há alguma demanda aberta na localidade, como cardiologista ou pediatra.

– Teste vocacional
O teste vocacional para residência médica ainda não é muito difundido no Brasil, mas numa busca pela internet é possível encontrar métodos de universidades americanas e mesmo versões brasileiras. Embora não sejam precisos, o processo de responder as perguntas já pode ajudar no autoconhecimento e na compreensão das especialidades.

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