Medo de novos tiroteios faz com que postos de saúde fechem as portasl

A violência na Vila Cruzeiro não dá trégua. Há 30 dias, um médico foi assaltado em pleno atendimento em uma UBS da região. Nesta quarta-feira (24), quatro postos de saúde tiveram que encerrar os trabalhos mais cedo devido à insegurança e ao medo de novos tiroteios na Zona Sul de Porto Alegre.

Um dia antes, na terça-feira (23), um idoso morreu e outras três pessoas ficaram feridas após serem baleadas próximo ao Pronto-Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS). A região vem registrando vários disparos, desde o início deste ano, por conflito de facções. Em reportagem do G1, foi divulgado um áudio gravado por moradores da Vila Cruzeiro no qual revela a sequência de disparos ocorridos na noite de terça. Confira aqui.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Tronco, que deveria fechar às 18h, encerrou o atendimento ao meio-dia. Já as UBS Vila Cruzeiro, Cruzeiro do Sul e Cristal fecharam às 16h30. Os funcionários estão em pânico e reclamam da vulnerabilidade diante do cenário constante de violência.

Conforme levantamento do Diário Gaúcho, quase 40% das vítimas em guerra de facções não tinha relação com a criminalidade, o que assusta ainda mais os médicos e outros profissionais que precisam trabalhar diariamente em regiões de conflito.

Posto não possui segurança interna
Apesar das ameaças frequentes, em vistoria na UBS Tronco, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul constatou a falta do botão de pânico e segurança no local. O SIMERS vem acompanhando atentamente a questão da violência na região e está solicitando providências urgentes das autoridades. A situação de extrema gravidade levou o SIMERS a propor a criação de um grupo de trabalho para agir na definição de medidas. O GT foi criado e tem Sindicato, Secretaria Estadual de Segurança Pública, Brigada Militar, Guarda Municipal e Secretaria de Segurança da Capital.

Confira as ações propostas pelo SIMERS e como está a implementação:

(1) Presença permanente da Brigada Militar nas proximidades das unidades: como nos estádios de futebol, que recebem policiamento, os postos são locais de aglomeração com potencial de conflito, devido aos ânimos exaltados.
(2) Criação de Grupo de Trabalho com a Secretaria Estadual de Segurança Pública: parceria visa a buscar alternativas para que o atendimento de saúde se dê em condições mais seguras. Em andamento.
(3) Instalação de câmeras externas 360º no entorno das unidades de saúde: prefeituras de Porto Alegre e demais cidades com histórico de violência em postos devem garantir o videomonitoramento, com espelhamento no Centro Integrado de Comando da BM e SSP e Guarda Municipal / RPTC e câmeras das unidades (muitas são de serviço privado).
(4) Instalação de câmeras internas nas unidades de saúde: os locais de atendimento devem ter monitoramento com gravação permanente, para identificar eventuais agressores. O Sindicato entende que o anonimato estimula o comportamento violento.
(5) Instalação de botão de pânico nos postos de saúde sob a responsabilidade pela Guarda Municipal (prometido para março pela Secretaria da Segurança da Capital)
(6) Aumento do efetivo da Guarda Municipal da Capital (dos 497 homens, 160 são operacionais e estão armados, os demais tem mais de 50 anos e prestes a se aposentar. Seriam necessários pelo menos 1500 guardas. Edital para concurso público prevê 10 vagas).
(7) Estudo para adequação das unidades visando à segurança: muitos postos são improvisados em prédio já existentes, não pensados para o atendimento de saúde. As prefeituras devem revisar as estruturas físicas com vista à segurança, evitando invasões e facilitando a saída em caso de emergência.

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