A remuneração dos médicos de Angra dos Reis equivale a apenas 10 % do piso salarial preconizado pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam). As gratificações foram criadas para equiparar os vencimentos aos salários dos médicos de outros municípios. "Não podemos esperar a resolução jurídica somente. É preciso que estejamos unidos e mobilizados para essa luta, que também é política", alertou o presidente do SinMed/RJ, Jorge Darze. Segundo ele, não pagar salários em dia constitui crime de responsabilidade. "Temos que lutar para interromper o mandato da prefeita Conceição Rabha", acrescentou.
Um exemplo do caos na saúde pública local é o caso do paciente Fagner da Rocha, de 35 anos, sofreu um acidente e fraturou três vértebras da coluna. Fagner está internado no HGJ há dois meses e já recebeu o diagnóstico de necessidade de cirurgia. Entretanto, de acordo com a esposa dele, o hospital alega que não tem material, nem ortopedista para realizar o procedimento.
Após a assembleia, os médicos e usuários do HGJ caminharam até a UPA de Japuíba, que permanece fechada desde o dia 07 de março, e enterraram cruzes na porta da unidade, como forma de representar o luto pela saúde pública de Angra dos Reis. "É lamentável que a prefeita não tenha entendido que não se faz saúde sem médicos. Essa manifestação foi um grande sucesso, os médicos incorporaram a luta pela saúde de Angra e tenho certeza que ela será vitoriosa", afirmou o diretor do SinMed/RJ, José Alexandre Romano.
O SinMed/RJ já ingressou com uma ação civil pública, solicitando à Justiça Estadual a reabertura da UPA de Japuíba. O processo aguarda apreciação do juiz. Além disso, o sindicato também vai ajuizar uma ação contra a perda das gratificações salariais.