Se Portaria estivesse sendo cumprida, invasão no Souza Aguiar teria sido evitada, diz SinMed/RJ

A invasão de bandidos, na madrugada deste domingo (19), no Hospital Municipal Souza Aguiar, para resgatar o traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, que estava internado, poderia ter sido evitada, se uma Portaria da secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, que vigora desde 2002, por solicitação do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed/RJ), estivesse sendo respeitada. A norma, assinada por todos os secretários dos governos de Anthony Garotinho e Benedita da Silva, determina que, no momento em que supera o risco de morte, o preso deve ser transferido para os hospitais do sistema prisional, já que os hospitais dar rede pública são despreparados para essa finalidade.

O SinMed/RJ fará denúncia ao Ministério Público contra os governos Municipal e Estadual, por estarem desrespeitando a Portaria.

"Mais uma vez o governo estadual se revelou criminoso. Além de não garantir as condições adequadas de funcionamento dos hospitais públicos, ainda mantém a rede de hospitais penitenciários sem qualquer condição de dar atendimento aos presos e aos pacientes com periculosidade. O caso do Souza Aguiar é típico da omissão do poder público. Na medida em que um paciente como esse fica numa enfermaria só com um policial fazendo a custódia, o governo expõe médicos, servidores e a população ao risco de morte", declarou o presidente do SinMed/RJ, Jorge Darze.

Cenas parecidas já foram flagradas no Hospital Federal de Bonsucesso, quando acompanhantes e policiais morreram no resgate de um criminoso, e no Hospital Estadual Getúlio Vargas (HEGV), quando um médico foi refém de um grupo que também tentava o resgatar um bandido.
Em 2002, o SinMed/RJ promoveu um debate envolvendo as secretarias de Saúde, Segurança e Direitos Humanos, e do encontro resultou a Portaria.

O médico mantido refém no HEGV anos atrás, deu sua opinião sobre o ocorrido. “A sensação é de total abandono, afinal, o que aconteceu comigo, há cerca de 15 anos, continua se repetindo. Até hoje, nada mudou. Atualmente, nós temos 11 presos internados no Getúlio Vargas. Esses pacientes deveriam estar em um hospital penitenciário”, destacou o profissional.

De acordo com relatos, 15 bandidos invadiram a unidade, portando fuzis e granadas. O grupo arremessou granadas em direção ao carro da Polícia Militar e trocou tiros com a equipe. Conforme publicou o jornal Extra, Ronaldo Luiz Marriel de Souza, que estava no hospital para receber atendimento, foi baleado e morreu. Além disso, um PM e um enfermeiro da unidade também foram atingidos. De acordo com uma médica que trabalha na Coordenação de Emergência Regional (CER) Centro, que fica atrás do Souza Aguiar, os tiros invadiram a unidade de apoio e a confusão durou cerca de uma hora. A médica, que preferiu não ser identificada, se diz abalada e lamenta ter que retornar ao médico para reforçar seu tratamento para depressão, devido ao ocorrido.

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