Me formei, e agora?

Quando o final do curso se aproxima, é natural que os graduandos comecem a observar com mais atenção o mercado de trabalho de suas futuras profissões. Nesse exato momento muitas dúvidas preenchem os pensamentos dos acadêmicos, gerando incerteza e até receio do futuro. A medicina, por ser uma das profissões mais desafiadoras e com uma diversidade de caminhos, consequentemente causa muitos questionamentos aos recém-formados: E agora, por onde começo a trabalhar?

O ambiente acadêmico nos proporciona diversão e ao mesmo tempo muito conhecimento. Porém, nos últimos semestres de faculdade e logo após a formatura, as dúvidas e as incontáveis perguntas ficam em evidência nas reflexões daqueles que estão terminando o curso ou acabaram de se formar. Muitas profissões, como a medicina, possibilitam um grande leque de opções, o que acaba provocando mais incertezas na escolha do caminho a ser percorrido. “A medicina possuí uma gama de possibilidades depois da formatura. O recém-graduado pode fazer concurso, atender na clínica, hospital e até trabalhar somente com pesquisa. Atualmente, a área do atendimento a pacientes particular é restrita, pois é mais difícil a população remunerar um médico particular por causa do poder aquisitivo . Uma contratação por alguma instituição é mais atrativo para um jovem médico”, afirma o pediatra e Coordenador do curso de medicina da Ufrgs, Alberto Mainieri.

Alguns jovens médicos preferem ficar um tempo trabalhando com clínica geral e mais tarde fazem a residência. Sobre buscar se especializar logo depois do curso ou não, Mainieri acredita que essa questão está ligada com a concepção de cada indivíduo. “Hoje, o mais atrativo para o mercado é o profissional com especialização, porém não há necessidade de procurar residência logo depois do término da faculdade. Isso depende da história de cada aluno. É muito pessoal”. Por outro lado, grande parte dos estudantes ingressa na residência em seguida da graduação e a escolha pela especialização, geralmente, vem ao decorrer do curso. “Ao longo do curso os alunos vão se identificando com cada especialidade. Geralmente chegam ao final com algumas dúvidas, mas a maioria vai demonstrando empatia com cada área. A escolha acaba sendo mais pelo prazer do que com os ganhos econômicos. O principal é se sentir-se bem e realizado”, conta Mainieri.

A Presidente do Núcleo Acadêmico do SIMERS (NAS), Barbara Dalla Corte, estudante do nono semestre de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) escolheu fazer a residência assim que terminar a faculdade, pois acredita ser uma segurança para um recém- formado. “Eu acho que a residência é uma espécie de segurança, pois saímos da faculdade um tanto cru. Com a residência tu tens o preceptor para te auxiliar. Vejo que o mercado está bastante especializado, então as pessoas procuram algum especialista. Eu quero fazer especialização em neurologia ou cirurgia geral. Sentiria prazer em trabalhar nessas duas áreas.”, diz Barbara. Gisele Belloli, Vice- Presidente do NAS , acadêmica do sétimo semestre de medicina da ULBRA, também optou pela especialização. Entretanto, dúvidas vieram antes da tomada de decisão. “Minha perspectiva é fazer residência em neurocirurgia. Sempre gostei desde o começo da faculdade, então fui fazendo estágios para avaliar como é o trabalho dos médicos e residentes. Às vezes me desanimei porque a maioria dos profissionais nessa especialidade são homens e, por isso, disseram que seria difícil para mim. Tentei ver outras áreas que eu pudesse gostar. Pesquisei, mas realmente eu gosto de neurocirurgia”, conta Gisele.

Tanto Barbara quanto Gisele buscaram informações sobre os campos de atuação da medicina e das respectivas especialidades que escolheram. Ambas consideram uma tarefa essencial para aqueles que estão se aproximando da reta final, assim como elas. “Pesquisar o mercado, a rotina de cada especialização, é muito importante antes de ir para qualquer área. Se existe alguma dica que eu possa transmitir para aqueles que recém entraram na medicina, é essa”, salienta a Presidente do Núcleo Acadêmico. Já aos graduados recém- formados, Manieri dá algumas dicas de como agir profissionalmente. “Primeira coisa é ter paciência e não ser excessivamente rigoroso consigo mesmo. Saímos sabendo muitas coisas, mas pouco também. Insuficiente ainda com o que precisamos saber. Entender que grande parte do conhecimento se adquire através da prática, encarar os desafios com disposição e serenidade em cada atendimento. Outra orientação é seguir os sonhos e se dedicar ao máximo, pois, assim como em todas as profissões, na medicina não conseguimos alcançar nada se não houver esforço”, salienta Mainieri.

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