Prefeito do Rio tenta calar a voz do Sindicato dos Médicos

Em março deste ano, ele desrespeitou e agrediu verbalmente uma médica servidora do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, enquanto ela seguia as regras pré-estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde para os atendimentos na Emergência. Em lugar de um pedido público de desculpas, Eduardo Paes, agora, recorre à Justiça e move ação por danos morais contra o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed/RJ) e três de seus diretores: o presidente, Jorge Darze, a vice-presidente, Sara Padron, e o Diretor de Formação Profissional e Educação Médica Continuada, José Alexandre Romano. A pergunta que não quer calar é, quem realmente sofreu danos morais nesse episódio?

Na ocasião, diante desse ato de prevaricação e de assédio moral contra a médica – que foi atestado pelo livro de ocorrências da unidade -, não cabia outra medida ao SinMed/RJ, e a sua diretoria, que não fosse fazer a defesa imediata dessa colega, desacatada durante o seu exercício profissional. Na contramão das evidências, o governante nega ter se valido da condição de prefeito ao gritar com a médica e dizer que ela não sabia como fazer o atendimento, porque ela solicitou os documentos dos pais para abrir a ficha técnica antes de atender ao filho do prefeito.

Todos nós conhecemos as atitudes destemperadas do atual prefeito do Rio e temos sentido na pele a posição de total desrespeito que o seu governo adotou e adota com relação aos médicos da rede pública municipal. Mas o que ele precisa saber é que o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro tem, não só a prerrogativa, mas o dever legal de defender os seus representados em todas as instâncias.

Vale lembrar que, pelo ocorrido, o prefeito foi denunciado pelo SinMed/RJ ao Ministério Público do Trabalho. Portanto, ele é o denunciado e não o sindicato.

No início de sua gestão, Eduardo Paes chamou os médicos de canalhas por não ter encontrado esses profissionais no plantão, no Hospital Lourenço Jorge. O prefeito não sabia que esses profissionais já tinham pedido demissão. Entretanto, o desrespeito, por parte da autoridade, é frequente, não só contra os médicos, e sim contra todos os profissionais de saúde.

O prefeito deveria, conforme fez no episódio da ligação telefônica com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ofendeu os moradores da cidade de Maricá, pedir desculpas à população pelo tratamento dispensando aos médicos nos últimos anos.

Eduardo Paes precisa explicar ainda seu envolvimento na abertura de inquérito para investigar a mudança nos dados do Banco Rural, obtidos pela CPI dos Correios, que funcionou entre 2005 e 2006 e investigou o Mensalão, da qual Paes era deputado integrante. O pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) repudiou esse recente ataque ao SinMed/RJ.

Sindicatos médicos de outros estados, inclusive internacionais, também manifestaram apoio ao SinMed/RJ.

Diante disso, o SinMed/RJ conta com o contínuo apoio da categoria médica e dos demais profissionais do serviço púbico para auxiliar na produção de provas contra os desmandos dos gestores e do poder público, numa luta conjunta contra essa tentativa de calar o sindicato.

O Muspe, estadual e municipal, convoca todos os profissionais da saúde e demais servidores para um ato, no próximo dia 30, as 13 horas, em frente à sede da Prefeitura.

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