Período do pós-parto exige cuidados por parte da mãe

Durante os meses de gestação, o corpo feminino passa por intensas mudanças. Não é à toa que o puerpério, como é chamado o período pós-parto, exige da mulher cuidados especiais. Tudo para que um momento tão especial não se torne uma dor de cabeça.

Conforme explica o médico obstetra Breno José Acauan Filho, o puerpério pode ser definido como o período que vai desde o parto até o momento em que a mulher começa a voltar às condições anteriores à gestação, especialmente em relação aos órgãos genitais e ao seu abdômen.

O útero, por exemplo, começa a se contrair novamente com o passar dos dias. Durante esse processo, também ocorre um sangramento semelhante à menstruação. “Ele começa bastante avermelhado, passa por outras tonalidades, até chegar a uma cor mais amarelada, quando o fluxo começa a desaparecer”, define Acauan Filho. Trata-se de um processo natural do corpo.

Em média, a secreção costuma ocorrer ao longo de todo o primeiro mês após o parto. No entanto, é importante estar atenta e não confundir esse fluxo com sangramentos anormais, mais frequentes nos primeiros dias depois do nascimento do bebê e que tendem a ser identificados ainda durante a internação no hospital.

Como forma de respeitar a recuperação, sobretudo da região vaginal, é indicado que a mulher não mantenha relações sexuais durante as quatro semanas seguintes ao nascimento da criança, alerta ainda o obstetra.

Para não esquecer

Para as mães de primeira viagem, um dos assuntos que mais costuma gerar dúvidas é a amamentação. Não por acaso, é tema que exige atenção especial. Acauan Filho aconselha que é importante orientar o modo como o bebê pega o seio. “O ideal é que seja na região da aréola e não apenas no bico do mamilo. Isso evita que a mulher sofra com rachaduras”, completa.

Outro problema frequente nos primeiros dias após o parto é o chamado ingurgitamento mamário, que ocorre quando a produção de leite é elevada, o que pode deixar o seio inchado e gerar dor. Como solução, a dica é dar de mamar ao bebê sempre que ele quiser e, caso ainda seja necessário, retirar o excesso.

Também vale ficar atento aos sinais da depressão pós-parto, que pode render sintomas como insônia, irritabilidade e dificuldade de estabelecer laços com a criança. De acordo com dados de uma pesquisa realizada neste ano pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicada na revista científica Journal of Affective Disorders, 26% das mães brasileiras sofrem com o quadro.

Segundo o médico obstetra, seu surgimento depende muito da personalidade de cada mulher e como foi o período de gestação. “Uma gestante que já demonstrava queixas frequentes durante a gestação, por exemplo, costuma exigir mais atenção nesse sentido. O tratamento envolve duas frentes: o uso de medicamentos antidepressivos e o acompanhamento com um terapeuta”, detalha.

Além disso, é fundamental manter uma alimentação equilibrada e rica em produtos naturais, capazes de fornecer todos os nutrientes que a mãe precisa para oferecer ao bebê um alimento ainda mais completo. Sem esquecer, é claro, do consumo de cerca de três litros de água por dia, essencial para a produção do leite.

Parto normal x cesárea: o que muda

Não importa se o parto foi normal ou a partir de cesariana, é fundamental que a mãe tome cuidado durante as semanas posteriores à gestação. Para eliminar qualquer risco de complicação, é importante não carregar objetos com peso maior que o do bebê e evitar a prática de exercícios físicos antes da liberação médica.

Tanto o corte realizado durante a cesárea quanto o da episiotomia (incisão feita na região do períneo quando a abertura do canal do parto não é suficiente) devem ser mantidos higienizados e secos, para minimizar o risco de infecções que, mesmo pequeno, existe.

Mas ainda que ambos exijam cuidados, o médico obstetra lembra que a mulher que passou pela cesariana costuma ter um tempo de recuperação maior. “É como se tivesse passado por uma cirurgia, assim como qualquer outra. Por isso, demanda mais atenção com as suturas e costuma precisar de mais analgesia”, lembra ele, que destaca ainda a importância de que a mãe faça as consultas de revisão e o acompanhamento médico.

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