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sexta, 05 de junho de 2020

Médicos deixam de atender clientes de 23 planos em Foz

01 SET 201110h49
SESCON SINMED
Descredenciamento em massa afetará pelo menos 15 mil pessoas; exames e internações não serão afetados, segundo a AMP

A partir de hoje (01-09), cerca de 250 médicos de várias especialidades que atuam em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, suspenderão o atendimento de pacientes de pelo menos 23 planos de saúde – mais da metade dos 43 conveniados. O descredenciamento em massa afetará pelo menos 15 mil dos cerca de 60 mil usuários locais. Em princípio, a decisão não afeta clientes da Unimed, Itamed, Unidas, AMA, Clinipan, Fusex e Marinha, operadoras que aceitaram negociar aumentos no repasse dos valores cobrados pelos atendimentos e procedimentos médicos.

O anúncio foi feito pela Asso­ciação Médica do Paraná (AMP) na terça-feira. Na nota publicada no site da entidade, o presidente regional, José Luiz Bertolli, apontava que os pedidos de acordo não vêm sendo atendidos. “No dia 31 de agosto vence o prazo da negociação e todos os médicos irão paralisar o atendimento e se descredenciar individualmente”, prometia na nota. Exames laboratoriais e internações não serão prejudicados pela medida.

Entre as exigências apoiadas pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná estão o reajuste dos honorários médicos de acordo com a 6.ª edição da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, a revisão e regularização dos contratos com as operadoras e a aprovação do Projeto de Lei n.º 6.964/2010, que propõe o reajuste anual dos honorários. “Em dez anos, foram autorizados aumentos de 143% no valor dos planos. A inflação no período chegou a 130%. Já os honorários médicos pagos pelas operadoras não passaram de 40%”, frisa Bertolli.

Ressarcimento

O atendimento aos usuários dos planos dos quais os especialistas estão se descredenciando será feito mediante pagamento, que poderá ser ressarcido conforme entendimento com as operadoras. “O descredenciamento não interfere na relação médico-paciente, tanto para as despesas relativas a procedimentos de urgência e emergência, como para os tratamentos já em curso e cirurgias eletivas”, informa ainda a nota ao destacar que, segundo os órgãos de defesa do consumidor, é dever das operadoras informar os usuários sobre as mudanças.

Em cidades onde o descredenciamento de todas as especialidades já foi adotado, como Ivaiporã, no Norte do estado, e União da Vitória, no Sul, cerca de 30% dos usuários migraram para o sistema público de saúde. Os demais vêm mantendo os planos e, na maioria dos casos, sendo ressarcidos pelos gastos com os procedimentos médicos afetados. Em Curitiba, o levante vem envolvendo os endocrinologistas e, em Londrina, os ortopedistas. “Não queremos causar transtornos aos pacientes. Mas não podemos admitir mais que aviltem aquilo a que também termos direito”, diz Bertolli.
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