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sábado, 06 de junho de 2020

Servidores denunciam presidente do Sisem por desvio de verba

07 NOV 2012Por: Midiamax17h44
SESCON SINMED
Os servidores públicos filiados ao Sisem (Sindicato dos Servidores e Funcionários Municipais de Campo Grande) denunciaram na Justiça o presidente do sindicato, Marcos César Malaquias Tabosa por desviar mais de R$ 120 mil dos cofres da instituição. Segundo um grupo de servidores, para conseguir viabilizar o esquema, Tabosa teria feito uma manobra, colhendo assinaturas para um show de prêmios, as quais foram utilizadas ilicitamente para fraudar uma ata de assembléia. O caso também está sendo investigado pela polícia.

De acordo com o advogado, Gustavo Ferreira Santos, após manobra para destituir o tesoureiro geral do sindicato, a diretoria passou a suspeitar de Tabosa. No dia 10 de agosto, quando ele determinou que o diretor de base Marco Antônio, fosse receber R$ 9 mil da UGT (União Geral de Trabalhadores) na sede da central sindical, as suspeitas de desvio de dinheiro se confirmaram.

Os servidores disseram que desde que Tabosa recebeu uma negativa para retirada de saque das contas do Sisem pelo gerente do Banco, o presidente - sem saber que Marco fazia parte de um grupo que suspeitava das atividades ilícitas de Tabosa - o convidou a acompanhá-lo nos compromissos. Assim, Marco passou a ter acesso a todas as negociatas feitas com o dinheiro dos servidores.

Os R$ 9 mil recebidos foram levados até a Depac Centro, onde foi registrado um boletim de ocorrência. Os servidores também detectaram outras empresas nas fraudes.

“Nossa preocupação é com o funcionalismo. Quando chegamos ao Sisem havia 140 filiados e após o intenso trabalho, conta hoje com 3.200 filiados. Nos fortalecemos. É um absurdo uma pessoa na qual acreditamos fazer uma coisa destas com o servidor”, declarou Marco Antônio.

No esquema arquitetado por Tabosa, as empresas que emitiam boletos falsos ficavam com 10% do total, repassando o restante a ele. O vice-presidente da Associação, Rodolfo Carlos Ferreira, repudiou a atitude. “Os servidores já não aceitam mais ele como liderança. Mais de 70% dos nossos filiados querem que ele saia. Até hoje não sabemos onde foi parar o dinheiro do Sisem”, declarou.

Para os servidores é incompreensível que com uma receita mensal de R$ 29 mil, e tendo recebido em 2011 R$ 1 milhão de imposto sindical e em 2012 mais R$ 350 mil, o sindicato tenha dívidas como IPTU atrasado. A reportagem puxou os débitos na prefeitura pelo número de inscrição do imóvel e descobriu que a sede que Tabosa declarou ter adquirido por R$ 410 mil não está em nome da entidade.

Procurado pela reportagem Tabosa negou as acusações e disse que a denúncia é fruto de uma briga interna no sindicato em que o grupo que se voltou contra ele tenta tomar o poder a qualquer custo. “Isso é um jogo de interesses. Nós pegamos o sindicato com mais de R$ 130 mil de dívidas e agora com um patrimônio de mais de R$ 1 milhão eles querem assumir. Tem grupo político por trás disso com certeza”, declarou Tabosa.

Sobre os R$ 9 mil, Tabosa disse que o valor é referente a um empréstimo feito a UGT e que o atraso do IPTU e a sede do prédio em nome diverso do da entidade é regularização de atribuição do tesoureiro. Ele disse ainda que Marco Antônio encabeça o movimento porque é da chapa concorrente que quer tomar o poder a qualquer custo dentro do sindicato.

Desvios

De acordo com os servidores, extratos bancários apontam um desfalque de mais de R$ 125 mil das contas do sindicato. Entre os valores que chamaram a atenção estão a compra de carnes em valor de R$ 34,2 mil em agosto e R$ 22,6 mil em julho, bem como duplicatas de R$ 15 mil.

A ação na Justiça é subscrita por 76 servidores, pelo vice-presidente, tesoureiro geral, diretores de base, Pedro Félix, Marco Antônio e Mario Giraldelli e o filiado Roberto Domingues Portilho. Eles pedem o cancelamento da ata fraudada e também o afastamento de Tabosa. Ele pode ainda responder pelos crimes de apropriação indébita, fraude, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha.

Fraude

Os servidores contaram que a fraude teve início no dia 10 de maio de 2012 – véspera do dia das Mães, quando Tabosa reuniu os servidores para participar de um show de prêmios. Na ocasião, mais de 500 filiados assinaram a lista de presença, que posteriormente foi fraudada pelo presidente, tendo sido transformada em uma ata de assembléia para realizar mudanças estatutárias.

No documento forjado, as eleições para a presidência do Sisem foram antecipadas, garantindo que ele permanecesse no cargo; foi feita a desfiliação do sindicato da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e transferida para a UGT (União Geral dos Trabalhadores) sem deliberação em assembleia; foram declaradas as prestações de contas de 2009, 2010 e 2011, as quais não apareceram até hoje; além de afastar o tesoureiro geral, Manoel Oscar Mendes, para garantir poderes ao suplente, que é amigo pessoal de Tabosa e atua sobre sua influência.

Sem saber da troca de tesoureiros, Oscar se dirigiu a uma das agencias bancárias em que o sindicato possui conta para saber sobre diversas movimentações feitas sem sua autorização. No banco, foi comunicada a situação pelo gerente. Como a categoria ingressou com ação na Justiça, o gerente proibiu os saques, restringindo a liberação de dinheiro apenas para pagamento de boletos bancários.

Assim, teria sido dado início ao esquema fraudulento que desviou cerca de R$ 125 mil dos cofres da instituição. Boletos fictícios teriam começado a ser forjados, com pagamento de propina aos empresários. Algumas dessas negociatas foram gravadas pelos servidores, que as anexaram no processo que corre na Justiça.

 
Gravações

Os denunciantes contaram que as gravações têm vasta informação de como eram feitas as negociatas. Os empresários explicam o esquema, que conta inclusive como uma factoring emite duplicatas falsas para a confecção de boletos.
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