SinMed/MS e Sociedade Civil Barram Proposta de Privatização da Saúde em Audiência Histórica na Capital

Em uma manhã marcada por forte mobilização e plenário lotado, o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed/MS), ao lado de diversas entidades de classe e usuários do SUS, barrou o avanço da proposta de privatização da gestão de saúde na Capital. A Audiência Pública, realizada nesta sexta-feira (10/04) na Câmara Municipal, teve como pauta a tentativa da prefeitura de implementar Organizações Sociais (OSs) nos centros de saúde dos bairros Tiradentes e Aero Rancho.

Ações de Conscientização e Mobilização Visual

Como parte de uma estratégia ampla de defesa da saúde pública, o SinMed/MS tem promovido ações de conscientização em toda Campo Grande. Além da presença massiva na Câmara, o sindicato está distribuindo materiais informativos, incluindo panfletos e a instalação de outdoors pela cidade, alertando sobre os problemas causados pelas Organizações Sociais (OSs). Essas ações visam informar a população sobre os riscos da terceirização e reforçar a necessidade de investimentos diretos no sistema público.

Casa Cheia e Repúdio à Terceirização

A participação maciça da sociedade civil organizada e de profissionais de diversas categorias transformou o debate em um ato de resistência. O sentimento de desaprovação foi unânime entre os representantes dos trabalhadores e conselheiros de saúde, que ocuparam cada espaço da Casa de Leis para proteger a assistência pública e a previdência social.

O presidente do SinMed/MS, Dr. Marcelo Santana, enfatizou que o modelo de gestão por OSs é prejudicial aos princípios do SUS. “Ver a casa cheia dessa forma mostra que a população está vigilante e não vai aceitar retrocessos. Foi uma participação maciça que lotou o plenário para dizer não a esse projeto”, afirmou o presidente. Marcelo Santana ainda alertou para a falta de transparência e o risco de fraudes que acompanham a expansão desenfreada de OSs em outros estados, destacando que “as pessoas nunca são números e precisam ser respeitadas”.

Impactos Técnicos e Precarização

A vice-presidente do SinMed/MS, Dra. Rosimeire F. Arias, juntamente com o Dr. Marcelo, pontuou com clareza os riscos técnicos da proposta, reforçando que a terceirização precariza o serviço e o vínculo com o paciente. Para Dra. Rosimeire, a vitória alcançada na audiência é fruto de um esforço conjunto: “Esta é uma vitória coletiva. Não é uma conquista de uma pessoa só, mas de todo mundo que acredita e luta por uma saúde pública de verdade”.

Posicionamento Político e Próximos Passos

A maioria dos vereadores presentes também se manifestou contra o projeto. O vereador Dr. Victor Rocha, presidente da Comissão de Saúde, defendeu a reestruturação da saúde pública de forma participativa, enquanto o vereador Dr. Lívio afirmou que a proposta dificilmente passaria na Casa de Leis devido à resistência majoritária.

Apesar da justificativa do secretário municipal de Saúde, Dr. Marcelo Vilela, que defendeu o modelo citando dificuldades orçamentárias.

O recado de Campo Grande foi dado: a saúde pública deve ser gerida com responsabilidade estatal, valorização do servidor e foco total na vida do cidadão.