O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed/MS) se manifestou de forma contundente após a aprovação do Projeto de Lei nº 12.456/26, que concede reajuste de 4,39% aos servidores municipais de Campo Grande. Embora a categoria médica tenha sido contemplada após alteração feita pelos vereadores, o sindicato afirma que o percentual aprovado está muito abaixo da valorização necessária e não repara o histórico de desgaste, desrespeito e ausência de diálogo enfrentado pelos médicos na atual gestão municipal.
Para o SinMed/MS, a inclusão da categoria médica no projeto não partiu de iniciativa espontânea do Executivo. O texto originalmente encaminhado pela Prefeitura previa a exclusão de servidores integrantes de carreiras com política remuneratória própria ou piso definido por legislação específica, o que, na avaliação do sindicato, atingiria diretamente os médicos municipais. A mudança só ocorreu após atuação dos vereadores, que retiraram o dispositivo e ampliaram o alcance do reajuste.
Mesmo com a correção feita no Legislativo, o SinMed/MS reforça que não concorda com o índice aprovado. O reajuste será pago de forma parcelada, sendo 2,20% em agosto de 2026 e 2,19% apenas em janeiro de 2027. Para a entidade, o formato mantém a defasagem salarial da categoria e não representa valorização real dos profissionais que sustentam diariamente a rede pública de saúde da Capital.
O sindicato também critica o que considera uma contradição da gestão municipal. Enquanto os médicos ficaram anos sem recomposição efetiva e precisaram recorrer à Justiça para garantir direitos relacionados ao plano de cargos e carreira, a administração municipal aprovou aumento escalonado para os subsídios da prefeita e dos secretários municipais.
Pela legislação em vigor, o salário da prefeita passou para R$ 26.943,05 a partir de abril de 2025, subiu para R$ 31.912,56 em fevereiro de 2026 e chegará a R$ 35.462,22 em fevereiro de 2027. Já os secretários municipais, incluindo titulares de pastas estratégicas como a Saúde, tiveram subsídios fixados em R$ 19.028,90 a partir de abril de 2025, R$ 25.511,95 a partir de fevereiro de 2026 e R$ 30.142,70 a partir de fevereiro de 2027.
O presidente do SinMed/MS, Dr. Marcelo Santana Silveira, afirmou que a situação dos médicos municipais em Campo Grande chegou a um dos momentos mais graves da história recente da relação entre a categoria e o Executivo.
“Em meu ponto de vista pessoal, esta é a pior administração que Campo Grande teve nos últimos tempos contra os profissionais de saúde, principalmente contra os médicos. É uma situação sem precedentes na história recente do município. A categoria nunca se sentiu tão desrespeitada, tão desvalorizada e tão perseguida quanto nesta gestão. Não houve reajuste digno para os médicos desde que a gestão atual assumiu, mas o salário do executivo aumentou, o dos secretários aumentou, e os médicos continuaram sendo tratados como se fossem um problema, quando na verdade são parte essencial da solução para a saúde pública”, afirmou.
O presidente também criticou a falta de cumprimento efetivo das obrigações relacionadas ao enquadramento no plano de cargos e carreira dos médicos. Segundo ele, mesmo diante de decisão judicial, a categoria segue enfrentando demora, resistência administrativa e insegurança quanto à implementação plena dos direitos reconhecidos.
“A Prefeitura só se movimenta quando é pressionada. Quando se trata dos médicos, falta diálogo, falta respeito e sobra tentativa de empurrar o problema. O enquadramento do plano de cargos e carreira precisa ser cumprido de forma séria. Não é favor, é direito. A categoria não aceita mais ser ignorada enquanto a gestão garante aumento para o alto escalão”, completou Dr. Marcelo.
Para o SinMed/MS, a tentativa inicial de deixar a categoria fora do reajuste reforça a postura de enfrentamento adotada pela gestão municipal em relação aos médicos. A entidade afirma que a atuação da Câmara Municipal foi fundamental para corrigir uma distorção no projeto, mas ressalta que a correção não elimina a responsabilidade da Prefeitura pelo envio de um texto considerado injusto.
“O que aconteceu mostra que, se dependesse exclusivamente da gestão municipal, os médicos poderiam ter sido novamente deixados de lado. Foram os vereadores que corrigiram o projeto. Mas isso não muda o fato de que o reajuste é insuficiente e de que a categoria médica segue sendo tratada com descaso”, destacou o sindicato.
O SinMed/MS afirma que continuará acompanhando a sanção do projeto, cobrando a aplicação do reajuste aos médicos. A entidade também reforça que seguirá atuando judicial e institucionalmente para garantir o cumprimento do plano de cargos e carreira, a recomposição salarial adequada e o respeito aos médicos que atuam na rede pública municipal.
Para o sindicato, a saúde pública de Campo Grande não será fortalecida com discursos, mas com valorização concreta dos profissionais, cumprimento de decisões judiciais, respeito às carreiras e diálogo permanente com quem está na linha de frente do atendimento à população.