SinMed/MS Alerta para Impactos do Fechamento de Unidades e Caos na Saúde de Campo Grande

Em entrevista à rádio MFM 103.3 nesta quarta-feira (20), o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed/MS), Dr. Marcelo Santana Silveira, fez um diagnóstico contundente sobre a crise na saúde pública da Capital e do interior. O dirigente alertou para os riscos do fechamento de postos de saúde e o sufocamento dos hospitais.

Recentemente, a proposta de fechamento de 15 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) e de dois Centros Regionais de Saúde (CRS) gerou forte oposição do sindicato.

“A rede de atenção em Campo Grande já é deficitária em todos os níveis. Desestruturar a base, que são as UBSFs, causa um efeito cascata devastador. Sem a atenção primária funcionando, o fluxo de pacientes deságua e sobrecarrega as UPAs e CRSs”, alertou o Dr. Marcelo Santana Silveira.

Outro ponto crítico abordado foi a falta de retaguarda para os casos graves que chegam às urgências, evidenciando falhas na estrutura hospitalar da Capital.

“O município não tem uma rede terciária estruturada para absorver os pacientes das UPAs. O resultado são pessoas internadas de forma improvisada em locais que deveriam ser apenas de passagem”, explicou o presidente do SinMed/MS.

Questionado se o problema da saúde local é financeiro ou administrativo, o presidente do SinMed/MS cobrou maior eficiência técnica das autoridades.

“Existe uma linha tênue entre a falta de repasses e uma administração deficitária dos recursos existentes. A saúde pública exige gestão técnica e transparente para garantir insumos, estrutura e condições dignas de trabalho”, afirmou.

O presidente também criticou a abertura indiscriminada de faculdades de medicina sem hospitais-escola e apontou a dificuldade de fixar profissionais no interior como um fator que satura a Capital.

“O médico recém-formado muitas vezes não encontra condições técnicas adequadas no interior. Sem suporte, ele retorna para os grandes centros, deixando o interior desassistido e superlotando o mercado de Campo Grande”, pontuou o Dr. Marcelo Santana Silveira, que defendeu o uso ético da telemedicina para mitigar esses vazios assistenciais.

O SinMed/MS reafirma que seguirá fiscalizando e cobrando o poder público contra qualquer retrocesso no SUS.