O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed/MS) manifesta profundo repúdio às declarações públicas atribuídas ao Secretário Municipal de Governo e Relações Institucionais de Campo Grande, Sr. Ulisses Rocha, que sugerem a existência de suposto “boicote” por parte de servidores da rede municipal de saúde em relação à assistência farmacêutica.
É inadmissível que trabalhadores da saúde, que diariamente enfrentam sobrecarga, falta de estrutura e dificuldades históricas no sistema público, sejam expostos de maneira generalizada e sem apresentação de provas concretas, especialmente em temas tão sensíveis quanto o abastecimento de medicamentos à população.
O próprio Conselho Municipal de Saúde, por meio do Ofício nº 3.419/CMS/SESAU, destacou a gravidade das declarações e cobrou da Secretaria Municipal de Saúde esclarecimentos formais, documentos e eventual comprovação das acusações, reforçando que não houve, até o momento, apresentação pública de procedimentos administrativos conclusivos que sustentem tais afirmações.
O SinMed/MS entende que problemas relacionados ao desabastecimento de medicamentos não podem ser reduzidos a acusações genéricas contra servidores. Trata-se de uma questão complexa, que envolve planejamento, logística, aquisição, financiamento e gestão da assistência farmacêutica, conforme também apontado pelo Conselho Municipal de Saúde.
Para o presidente do SinMed/MS, Dr. Marcelo Santana Silveira, declarações sem comprovação fragilizam ainda mais o ambiente da saúde pública e desrespeitam profissionais que estão na linha de frente do atendimento à população.
“Não podemos aceitar que trabalhadores da saúde sejam responsabilizados publicamente sem qualquer apuração formal, transparente e individualizada. O servidor público não pode se transformar em alvo para justificar problemas estruturais históricos da gestão. É preciso responsabilidade institucional e respeito aos profissionais que sustentam diariamente o funcionamento do SUS”, afirmou o presidente.
A vice-presidente do SinMed/MS, Dra. Rosimeire Fernandes Arias, também destacou a preocupação da entidade com o impacto das declarações sobre os profissionais e sobre a própria confiança da população no sistema público de saúde.
“Os profissionais da saúde vivem uma rotina extremamente desgastante, marcada por falta de estrutura, déficit de pessoal e dificuldades operacionais. Generalizar acusações sem provas apenas aumenta a insegurança, desvaloriza os trabalhadores e afasta o foco daquilo que realmente precisa ser enfrentado: a organização eficiente da assistência farmacêutica e o abastecimento adequado das unidades”, declarou.
O SinMed/MS reafirma que qualquer denúncia ou suspeita de irregularidade deve ser apurada pelos meios legais e administrativos adequados, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à individualização de responsabilidades, jamais por meio de exposição pública indiscriminada.
Os médicos e demais profissionais da saúde merecem respeito, valorização e condições adequadas para exercerem seu trabalho com dignidade. Não aceitaremos tentativas de transferir aos trabalhadores a responsabilidade por falhas estruturais da gestão pública.
O SinMed/MS seguirá vigilante na defesa dos médicos e apoiando os profissionais da saúde e a população usuária do SUS, cobrando transparência, responsabilidade administrativa e políticas efetivas para garantir atendimento digno e abastecimento regular de medicamentos em toda a rede municipal.