RJ: sem pagamento, residentes da UERJ entram em greve

Os médicos residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) vão iniciar uma paralisação por tempo indeterminado, a partir desta segunda-feira (23), mantendo o funcionamento de 30% do efetivo no setor de urgência. O movimento paredista foi aprovado durante assembleia, nesta quinta-feira (19). No dia em que inicia a greve, os residentes também farão uma manifestação em frente ao HUPE, às 10h.

No último dia 17, ao final da reunião da Associação de Médicos Residentes do estado do Rio de Janeiro (AMERERJ), os médicos residentes foram surpreendidos com um documento enviado pelo governo à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), avisando que “TODOS os pagamentos previstos do estado do Rio de Janeiro foram SUSPENSOS por falta de caixa”. “Depois desse acontecimento, todos que eram contra [a greve] se posicionaram a favor”, informou o presidente da AMERERJ, João Felipe Zanconato. Para o médico residente, talvez esse seja o gatilho para uma greve nacional. O comunicado encaminhado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro dizia ainda que a situação atinge também o pagamento das empresas terceirizadas.

Também nesta segunda-feira (23), o SINMED/RJ tem uma reunião marcada com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, às 16h, para a qual levará uma comissão de residentes do HUPE que denunciarão as carências da unidade. Além disso, o sindicato pretende marcar uma audiência com o secretário de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, para buscar a normalização do pagamento das bolsas.

Além da regularização salarial os médicos residentes da UERJ reivindicam melhores condições de trabalho, valorização da residência médica, entre outros. De acordo com o diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED/RJ), Julio Noronha, não existe previsão para o pagamento da bolsa referente a outubro.

No próximo dia 27, os médicos residentes da UERJ realizarão nova assembleia para avaliação dos efeitos da greve.

Propostas “quase inalteradas”

De acordo com a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), na contraproposta enviada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), “as negociações foram mantidas, com alterações pontuais”, conquistadas a partir da reunião realizada com o secretário de Educação Superior, Jesualdo Pereira Farias, no último dia 13, da qual participaram, além da associação, o SINMED/RJ e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM).

“É inadmissível que, depois de dois meses de uma pauta entregue, o governo repita todas as informações que já tinham sido prestadas anteriormente e negadas pelo movimento, por serem insuficientes para atender ao pleito dos residentes. O governo insiste no mesmo discurso de crise financeira e dificuldade em atender às reivindicações, o que só evidencia uma total falta de compromisso com o projeto de residência médica”, declarou o presidente do SINMED/RJ, Jorge Darze.

“Diante do quadro, se faz necessária consulta aos médicos residentes de todo Brasil sobre a assinatura de Termo de Acordo encerrando as negociações ou, como aventado anteriormente, paralisação [nacional] por tempo indeterminado”, disse a ANMR, em nota. A associação optou por duas metodologias de escolha: enquete virtual consultiva, a ser respondida de 17 a 22/11/2015, até às 18 horas (horário de Brasília), disponível para resposta no link bit.ly/consulta-publica-ANMR e assembleias com as associações estaduais de médicos residentes, a serem realizadas no período de 23 a 27/11/2015.

Entre outras importantes questões, a ANMR cobra que o MEC cumpra a legislação vigente e acabe com a discrepância de valores entre os bolsistas da Residência Médica e do programa Mais Médicos, além de uma discussão mais aprofundada sobre o auxílio-moradia.

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