Cosemba emite nota em apoio à FESFBA

Diante da crise nacional do setor filantrópico de saúde, agravada pela atual situação econômica do Brasil, o Conselho Superior das Entidades Médicas do Estado da Bahia (Cosemba), constituído pela Associação Bahiana de Medicina (ABM), Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) e Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), vem a público manifestar apoio e solidariedade a Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado da Bahia (FESFBA).

Com o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e com os atrasos nos repasses, diversas entidades filantrópicas, em especial aquelas que são 100% SUS, estão correndo risco de suspender serviços essenciais à população, que tem direito à saúde pública e de qualidade. Vale ressaltar que as Santas Casas de Misericórdia respondem pela maioria dos procedimentos de média complexidade realizados no país.

De acordo com a FESFBA, hoje, o déficit total de todas as Santas Casas baianas já ultrapassa R$ 1 bilhão. Para se ter uma noção da defasagem da tabela do SUS, que não é reajustada a mais de 10 anos para a maioria dos procedimentos, a entidade dá um exemplo: enquanto uma consulta especializada no mercado privado custa entre R$ 90 e R$ 500 o SUS paga ao setor filantrópico apenas R$ 10. Graças a esta triste realidade, que reflete também nos profissionais da saúde, seja por atrasos nos salários ou até por demissão, 49 Santas Casas já fecharam as portas na Bahia nos últimos 10 anos.

Entre as 83 Santas Casas em funcionamento no estado, as obras Sociais de Irmã Dulce, o Hospital da Criança Martagão Gesteira e as Santas Casas de Itabuna, Valença e Oliveira dos Campinhos (Santo Amaro) são as que estão vivenciando uma situação mais crítica, segundo o presidente da FESFBA, Maurício Almeida Dias Pereira. “Em 26 anos de SUS, o reajuste procedimentos foi de 93%, em média, enquanto a inflação oficial foi de 413%. Deste jeito é impossível fechar as contas”, desabafou ele, lembrando da importância das entidades na assistência na Bahia: “Somos responsáveis por 94% das cirurgias oncológicas do estado e, no caso das cirurgias oftalmológicas, por 75,8%”.

Apesar dos gestores do SUS serem os responsáveis por este cenário, principalmente, pela falta de reajuste na tabela do SUS, o Cosemba solicita que os Estados, municípios e a própria sociedade não cruzem os braços, ajudando, na medida do possível, as Santas Casas.

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