90% dos municípios da Bahia aderiram ao programa “Mais Médicos”

Após um ano e meio da implantação do Programa do Governo Federal Mais Médicos, a Bahia se tornou o mais beneficiado com 90% dos municípios que aderiram ao projeto, dando suporte principalmente a atenção básica do estado. O Programa foi implantado em agosto de 2013 e ao todo, 1320 médicos estão atuando no Estado, e 250 fazem parte do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab). Deste total, 1.087 são Cubanos, 51 de outras nacionalidades e cerca de 200 brasileiros. Todos recebem uma bolsa de R$ 10. 457.

Conforme Cristiano Toster, Diretor de Atenção Básica do estado, os números da Bahia são bastante positivos. “A adesão ao programa é muito proveniente da demanda de cada município. Na Bahia conseguimos avançar muito, é o estado que tem, proporcionalmente, o maior quantitativo de médicos do Brasil. Isso se dá também devido ao trabalho da própria Sesab”, pontuou.

Toster explica também que com os serviços de atenção básica, as demandas de internação hospitalar reduziram em diversos municípios.. “O município de Uauá, por exemplo, Norte do Estado, está com dificuldade de manter o hospital porque não tem demanda de internamento, já que as pessoas são atendidas no programa de atenção básica”, disse.

Ele explica que a cobertura de Atenção Básica cresceu 7% em um ano, e atingiu o patamar considerado na média mundial. “Conseguimos ampliar significamente a cobertura de atenção básica à família. Esse ano saímos de 63% de cobertura para 70%, um impacto significativo.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, as equipes de saúde da família, que em outubro de 2013, eram 2899 chegaram a 3223 em setembro de 2014. As gestantes são as mais atendidas. De acordo com Toster, a Bahia atingiu a meta do indicador de nascidos vivos com mães que fizeram sete ou mais consultas de pré-natal. A meta é de 45% e a Bahia chegou a 49,3%.
Em relação às desistências, somaram 2,5%. Entre os médicos cubanos, maioria no Programa, foram números considerados na média esperada. “Foram desistências consideradas normais, por questões de saúde ou da família ou do próprio médico. Três médicos cubanos ficaram doentes e voltaram para Cuba. Os brasileiros desistiram mais”, pontuou.

Como em todo emprego comum, após um ano de serviços prestados, os médicos estrangeiros têm o direito de tirar férias, chamadas de recesso. Durante esta semana cerca de 200 médicos cubanos iniciaram o período de recesso. É o momento de voltar para casa e matar a saudade. O recesso é organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). “É um momento que esses médicos irão renovar as suas energias para que possam continuar atendendo o povo baiano”, disse o superintendente de Atenção Integral à Saúde, Mateus Simões.

“Todos estão muito motivados e com vontade de revigorar as energias com a família e voltar para o Brasil”, garante Cristiano Toster. Ele explica que a partir de um ano os profissionais têm direito ao recesso, porém quando o município vê a necessidade de manter o médico, ele aponta a coordenação estadual e reavaliamos a agenda.

Alguns deles já completaram um ano mais ainda não tiveram o recesso, é o caso do Médico Francisco Manuel Pegado, que atende na Unidade de Saúde da Família, em Periperi. Ele chegou à Bahia em agosto, e tem a previsão de voltar após três anos. Francisco é Angolano, mas vive a 40 anos em Portugal. A Tribuna da Bahia acompanhou uma parte da sua rotina no Posto e ele revelou suas impressões do Brasil. “Eu nunca tinha vindo ao Brasil, mas sou muito curioso e ficava no Youtube vendo os vídeos de Caetano Veloso, Maria Betania, Dona Canô, a cultura da terra, as baianas e sempre dizia tenho que ir à Bahia”, revelou. O médico, formado pela Universidade Federal de Lisboa fez candidatura para trabalhar na França, Inglaterra, EUA, Australia e Brasil e fui chamado para Australia e Brasil.

“Escolhi o Brasil porque vejo o país como irmão e porque sei das necessidades”, disse. Ele diz ainda que há uma idéia equivocada da profissão de medicina. “A nossa formação não é para ter regalias e privilégios, é para ajudar os outros, dedicar aos outros. A medicina é isso, mesmo sem estrutura, ajudar os cidadãos que têm necessidades. Tenho como base da minha profissão à dedicação aos outros. Não vejo nenhum sacrifício em estar aqui colaborando com o país”, afirmou. Para ele, o problema da falta de médicos no interior é universal. “Os médicos não gostam de trabalhar no interior, é um problema de todo o mundo”.

O Drº Francisco, como é chamado pela comunidade, aproveita os dias de folga para conhecer os pontos turísticos. “Já fui em Catu com uns parentes. Conheço Pelourinho e as praias”. Ele mora na Pituba e todos os dias vai para Periperi sozinho. Ele diz que a adaptação foi bem tranquila. “Aqui o povo é muito parecido com o Angolano, os hábitos alimentares, a cultura. Então isso facilita muito, tenho uma efetividade com a Bahia, pois a maior parte é de descendência africana. Eu passo na rua e as pessoas falam comigo, aqui da comunidade. Vejo o Brasil como um país irmão”, diz. O trabalho no bairro do subúrbio baiano não se limita apenas a Unidade Hospitalar, os médicos atendem em casa toda a comunidade com o apoio dos agentes de saúde da região. A previsão é que Francisco e outros médicos retornem em 2016, mas ele já avisa que se precisar volta. “Se o governo quiser nós continuamos dando nossa colaboração”, afirmou.

O Ministério da Saúde vai expandir o Programa Mais Médicos para assegurar profissionais em municípios com dificuldade de contratação na Atenção Básica. O edital abriu uma nova oportunidade para 1.500 prefeituras, sendo 116 da Bahia, e garante a incorporação de 100% das vagas do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab). A seleção já terminou e integrou 424 cidades que ainda não participam do Mais Médicos.

Municípios e médicos terão até os dias 28 e 29 de janeiro, respectivamente, para confirmar sua participação e efetuar a inscrição no sistema do Programa (http://maismedicos.saude.gov.br/). Estão aptas a aderir as prefeituras do Provab 2014, que encerra em fevereiro, e aquelas de maior vulnerabilidade econômica e social. Foram priorizadas, por exemplo, as cidades com 20% de sua população em extrema pobreza, com IDH baixo e muito baixo, localizadas no semiárido, Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira e nas periferias de capitais e regiões metropolitanas. Também foi garantida expansão para os distritos indígenas.

Os médicos brasileiros continuam tendo prioridade na seleção. Só que agora, ao invés de uma, eles terão três oportunidades para escolher o município em que irão atuar. Na inscrição, cada profissional definirá até quatro cidades de diferentes perfis, conforme a sua prioridade. Os candidatos concorrem somente com aqueles que optarem pelos mesmos municípios e, quem não conseguir alocação, terá acesso às vagas remanescentes.

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